sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A propósito das Simpatias e Antipatias!

“Os olhos são o espelho da alma.”

“Não sei porque é que às vezes embirro com uma pessoa assim de repente e tenho a sensação de que é mútuo. Tenho actualmente no trabalho uma colega com quem antipatizei logo que a vi, irrita-me, sem saber porquê. Acho que às vezes também acontece o inverso: simpatizo com alguém que ainda não conheço”.

O reconhecermos características e afectos nos outros tem sempre a ver com aquilo que somos e com a dinâmica que se estabelece entre a nossa personalidade, o nosso desenvolvimento e a nossa experiência. Nessa dinâmica, o que é actualizado em nós poderá ser uma parte de que gostamos, reconhecendo noutros aspectos a pior parte de nós próprios. Quando existe, o reconhecimento imediato tem sempre a ver com a experiência anterior, ainda que evocada por uma experiência de sonho, ou com uma característica do outro que apreendemos como “irritante” num contexto não verbal. A empatia que sentimos de imediato por uma pessoa que desconhecemos tem a ver com o facto de cada um de nós esconder um “segredo” da sua personalidade, de acordo com um mecanismo defensivo e adquirido; a antipatia é reconhecida exactamente da mesma maneira. Um indivíduo tímido poderá parecer tímido aos olhos dos outros, ou estar corrigido socialmente. Mas nenhum dos dois estará de forma espontânea em sintonia com o contexto exterior, que terá também um menor impacto neles em termos internos. O tímido que parece tímido será reconhecido por todos; o tímido “corrigido” só será reconhecido, a maior parte das vezes, por outros tímidos.
Quando a experiência de relação com outra pessoa é determinante em termos de personalidade, a “nossa defesa” interna reage de imediato ao reconhecer uma “pessoa semelhante”. Assim, simpatizamos de imediato com alguns e antipatizamos com outros, reconhecendo um conjunto de sinais não verbais que definem variáveis tais como o meio sócio-demográfico, a personalidade, etc.
Estes factores economizam a energia que despendemos no conhecimento das pessoas e no estabelecimento de novas relações, optimizando o sucesso da relação. Assim, “repelimos” as pessoas que nos fazem pensar em experiências menos boas e “atraímos e sentimo-nos atraídos” por pessoas com experiências positivas.
No entanto, o senso comum diz também que não devemos confiar totalmente nas primeiras impressões e que quando damos o benefício da dúvida temos, muitas vezes, surpresas agradáveis. O que é facto é que não temos disponibilidade para todos e que os olhos não são muitas vezes espelhos reveladores da alma, mas tão-somente olhos!

1 comentário:

  1. Concordo plenamente com o comentário sobre os olhos serem simplesmente olhos em 99% das vezes. Um espelho reflete o que o dono do espelho quer que seja refletido. Vivemos mascarando sentimentos para não ficarmos tão expostos. Com certeza o espelho da alma reflete o personagem de cada momento do estado de espírito daquela alma. Assim sendo, nem sempre as pessoas encontram nos olhos dos outros o personagem que lhe agrada naquele momento. Muitas vezes antipatizamos a primeira vista com alguém, e com o passar do tempo temos oportunidade de vislumbrar um personagem totalmente diferente daquele que nos repele, e nos sentimos atraídos pela pessoa; nos aproximamos dela e nos damos a chance de conhecer um outro personagem em ação em sua alma. Podemos até passar a amá-la.

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