Nos dias que correm....“É mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo...”
Testemunho:
“Não consigo controlar-me, sou um mentiroso compulsivo. Quer dizer, antes de me aperceber, já estou a dizer que adoro aquela comida; que o vestido novo da minha namorada lhe fica lindamente; que tenho muito trabalho, em vez de dizer que às vezes me apetece estar sozinho; de aceitar uma tarefa que já sei que não consigo fazer. Resultado, acho que estou sempre a mentir para conseguir que as pessoas não se zanguem comigo. O problema é que não resulta. Toda a gente me cobra de alguma maneira, que eu faça mil coisas, que não me apetece fazer. Nem sequer me dão tempo, nem eu dou a mim próprio tempo para descobrir o que eu gosto, ou o que me apetece verdadeiramente...”
As estratégias agradativas são sempre baseadas numa fragilidade da autoconfiança e da auto-estima. A mentira é uma forma de proteger a intimidade interna. O indivíduo esconde, omite e reinventa a realidade e a pessoa que é, porque pensa que não poderá ser aceite, nem amado por aquilo que realmente é.
Com alguma frequência, os indivíduos com uma dinâmica de “esconderijo”, funcionam em departamentos fechados, entre os quais as suas pessoas não circulam, não se misturando espaços de trabalho, de amigos, de família e de relações amorosas. Estes departamentos são cuidadosamente geridos, normalmente, por um indivíduo muito eficaz para o exterior, apresentando uma fragilidade e uma atribuição de poder em relação aos afectos das pessoas dominantes - pais, melhores amigos, marido, mulher e filhos. Este indivíduo agradativo atribui às pessoas que o rodeiam o poder e a capacidade de o “matar”, alimentando uma relação de dependência que “aos de fora” parece estranha. É tudo aceite e as pessoas a quem foi atribuido esse poder mandam de uma forma tirânica, até o agradativo não ter quase espaço interno. É tudo cobrado, o tempo que se passa no emprego, as outras relações, o desporto que frequentava, a música que ouvia, a forma como se vestia, entre tantas outras coisas.
Efectivamente, o controle leva sempre à construção de espaço de clandestinidade. O indivíduo, para se manter coeso, desenvolve estratégias escondidas que lhe permitam fazer as coisas que de facto lhe dão prazer. No entanto, a culpabilidade, imposta e manipulada por essas relações de dependência, fomenta a mentira e a tentativa de agradar, que pode ter muitas vertentes, desde a omissão, ou o oferecimento de presentes e de dinheiro, até à anulação do indivíduo na presença do outro. Estas relações de dependência são agravadas com o passar do tempo, e a estratégia de tirania e de controle do outro levam a uma clandestinidade que acaba por se tornar delinquente, já que é necessário uma compensação afectiva e um espaço interno onde se possa respirar.
O masoquismo da mentira é que deverá ser trabalhado num tempo psicoterapêutico, muitas vezes fundamental para que o indivíduo se aceite como é, deixando de tentar ser adequado a “gregos e a troianos”. Aceitando que isto não é suposto e que esta é uma tarefa inglória. Este trabalho de crescimento centra-se, fundamentalmente, na reconstrução da auto-estima, no reconhecimento dos limites pessoais e da zanga provocada pela intrusão dos outros. O medo da intimidade terá que ser igualmente trabalhado, de uma forma sistemática, que consiste na aprendizagem da exposição do próprio, no sentido de lhe permitir dar-se a conhecer, sem medo ou receio de ser julgado, numa aceitação progressiva das qualidades positivas e negativas individuais.
Em suma, todos nós somos mentirosos quando dizemos que adoramos um presente que odiámos; que estávamos doentes quando faltámos ao trabalho; que não estávamos em casa, mas estávamos de preguiça no sofá; que tentámos telefonar mas não estava ninguém em casa, e , no entanto, estas mentiras são consideradas necessárias e menos más, mas não passam de estratégias de evitamento da verdade daquilo que nós realmente somos - às vezes preguiçosos e mentirosos. Na verdade, deviamos arriscar e dar o benefício da dúvida aos que amamos, arriscando com a verdade.
Testemunho:
“Não consigo controlar-me, sou um mentiroso compulsivo. Quer dizer, antes de me aperceber, já estou a dizer que adoro aquela comida; que o vestido novo da minha namorada lhe fica lindamente; que tenho muito trabalho, em vez de dizer que às vezes me apetece estar sozinho; de aceitar uma tarefa que já sei que não consigo fazer. Resultado, acho que estou sempre a mentir para conseguir que as pessoas não se zanguem comigo. O problema é que não resulta. Toda a gente me cobra de alguma maneira, que eu faça mil coisas, que não me apetece fazer. Nem sequer me dão tempo, nem eu dou a mim próprio tempo para descobrir o que eu gosto, ou o que me apetece verdadeiramente...”
As estratégias agradativas são sempre baseadas numa fragilidade da autoconfiança e da auto-estima. A mentira é uma forma de proteger a intimidade interna. O indivíduo esconde, omite e reinventa a realidade e a pessoa que é, porque pensa que não poderá ser aceite, nem amado por aquilo que realmente é.
Com alguma frequência, os indivíduos com uma dinâmica de “esconderijo”, funcionam em departamentos fechados, entre os quais as suas pessoas não circulam, não se misturando espaços de trabalho, de amigos, de família e de relações amorosas. Estes departamentos são cuidadosamente geridos, normalmente, por um indivíduo muito eficaz para o exterior, apresentando uma fragilidade e uma atribuição de poder em relação aos afectos das pessoas dominantes - pais, melhores amigos, marido, mulher e filhos. Este indivíduo agradativo atribui às pessoas que o rodeiam o poder e a capacidade de o “matar”, alimentando uma relação de dependência que “aos de fora” parece estranha. É tudo aceite e as pessoas a quem foi atribuido esse poder mandam de uma forma tirânica, até o agradativo não ter quase espaço interno. É tudo cobrado, o tempo que se passa no emprego, as outras relações, o desporto que frequentava, a música que ouvia, a forma como se vestia, entre tantas outras coisas.
Efectivamente, o controle leva sempre à construção de espaço de clandestinidade. O indivíduo, para se manter coeso, desenvolve estratégias escondidas que lhe permitam fazer as coisas que de facto lhe dão prazer. No entanto, a culpabilidade, imposta e manipulada por essas relações de dependência, fomenta a mentira e a tentativa de agradar, que pode ter muitas vertentes, desde a omissão, ou o oferecimento de presentes e de dinheiro, até à anulação do indivíduo na presença do outro. Estas relações de dependência são agravadas com o passar do tempo, e a estratégia de tirania e de controle do outro levam a uma clandestinidade que acaba por se tornar delinquente, já que é necessário uma compensação afectiva e um espaço interno onde se possa respirar.
O masoquismo da mentira é que deverá ser trabalhado num tempo psicoterapêutico, muitas vezes fundamental para que o indivíduo se aceite como é, deixando de tentar ser adequado a “gregos e a troianos”. Aceitando que isto não é suposto e que esta é uma tarefa inglória. Este trabalho de crescimento centra-se, fundamentalmente, na reconstrução da auto-estima, no reconhecimento dos limites pessoais e da zanga provocada pela intrusão dos outros. O medo da intimidade terá que ser igualmente trabalhado, de uma forma sistemática, que consiste na aprendizagem da exposição do próprio, no sentido de lhe permitir dar-se a conhecer, sem medo ou receio de ser julgado, numa aceitação progressiva das qualidades positivas e negativas individuais.
Em suma, todos nós somos mentirosos quando dizemos que adoramos um presente que odiámos; que estávamos doentes quando faltámos ao trabalho; que não estávamos em casa, mas estávamos de preguiça no sofá; que tentámos telefonar mas não estava ninguém em casa, e , no entanto, estas mentiras são consideradas necessárias e menos más, mas não passam de estratégias de evitamento da verdade daquilo que nós realmente somos - às vezes preguiçosos e mentirosos. Na verdade, deviamos arriscar e dar o benefício da dúvida aos que amamos, arriscando com a verdade.
Gostei muito do texto - diria que a "mentira têm perna curta" !
ResponderEliminarComo tal uma das coisas que + aprecio nas relações é a Verdade pelo que é preferível dizer a alguém que não apetece ou não está afim, do que inventar histórias.
Acredito que todos nós já fomos tentados a mentir, quer com o namorado, marido, colegas ou filhos.
Mas devíamos todos reflectir no texto e ter como a Verdade como 1 principio pois esta trás + benefícios do que com a mentira, por muito dolorosa que ela seja.
Atenção não sou nenhuma Santa!
LOL