quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A Propósito do Natal - “Quem come na noite de Natal ou é besta ou animal”.

Testemunho
"Sempre adorei o Natal, infelizmente desde há uns anos para cá toda a gente começou a queixar-se da febre do consumo.
Todos os meus amigos dizem que as crianças acham que o Natal se traduz em divulgações de supermercado em vez de escreverem uma carta ao Menino Jesus. Já não acreditam na magia do Natal. A ideia do renascimento, com cheiro de perú, e com o céu estrelado na noite de Natal."
A magia do Natal independentemente de crenças ou credos está na oportunidade de darmos presentes e partilharmos tempo e refeições com quem esteve na nossa vida ao longo desse ano. É a reafirmação dos laços entre as pessoas e o voltarmos a ser folclóricos, decorando a casa toda de encarnado e dourado. Repegamos em rituais de infância com o presépio, umas vezes com o menino já deitado nas palhinhas, outras com ele escondido no armário até ao dia de Natal. Faz-se doces com imenso colestrol, açucar e canela, com sabores de infância pesquisados em livros de receitas herdados ou copiados das nossas mães e reinventados nesta quadra. É impossível não ser contagiado por algumas pessoas, em que é a única altura do ano em que vão à escola dos filhos, numa atitude participante, assistir às canções ou aos teatros de Natal. Reinventam-se presentes e incentivam-se as crianças a partilharem esta intenção com os mais crescidos, presenteando ou enviando postais para as pessoas que lhe são queridas.
Claro que existem sempre os adultos que por uma razão ou outra sentem o Natal distante. O discurso é repetido "já não há Natal, as pessoas só pensam nos presentes, como é que alguém se enche de comida quando há tantos pobres...". Há no seu coração e na sua atitude uma vontade de mudança e de reaproximação da intenção genuína do Natal que é dar e receber Amor; o pretexto do Menino Jesus ter nascido para nos salvar é actualizado com o nascimento de cada criança em que são depositadas esperanças e sonhos de toda a família. Assim, propomos uma receita, não para que o Natal seja mágico, mas um pretexto para ele Ser:
  • Receita de um autêntico Natal:
  • Procure musgo no bosque ou floresta ao pé de si, as figuras do presépio escondidas na arrecadação e faça mesmo um presépio.
  • Árvore de Natal: pinheiro, cameleira decorado com desenhos, chocolates, bolas ou fitas de embrulho; não esquecer de colocar o sapatinho na véspera de Natal.
  • Visite ou telefone a alguém com quem não fale há muito tempo e que saiba que está sózinho.
  • Faça ou compre um presente para uma criança que não tenha presentes.
  • Celebre o facto de ter uma família, se envolver comida ainda melhor! E ponha a mesa bonita como se tivesse visitas.
  • À noite, embrulhe os seus filhos em muitos casacos e veja as iluminações de Natal da sua cidade.
  • Conte histórias dos seus natais, ou de natais inventados por si às crianças.
  • No momento de abrir os presentes não se esqueça de compartilhar o amor que sente pelas pessoas que a rodeiam.
  • E para terminar, não se esqueça que o Natal é quando o Homem quiser!
Comece já a praticar e...Bom Natal!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Natalis


A Associação Lavoisier vai participar na Natalis, a maior feira de solidariedade do País!

Junte-se a nós e visite o nosso stand, onde vamos ter uma banca, cheia de surpresas e presentes giríssimos. Aproveite esta feira e compre os presentes de Natal, para oferecer aos seus mais queridos, numa época onde a solidariedade e o amor são essenciais…

Contamos consigo de 5 a 13 de Dezembro de 2009, na FIL!



Por motivos de Logística o nosso atelier “No Corte e na Costura” cancelado, contudo, a Associação Lavoisier, está a organizar um Workshop sobre roupas, maquilhagem, cabelos e postura! O Workshop terá a duração de 3 horas dinâmicas e de muito conhecimento. Garantimos um resultado BRILHANTE!
Poderá vir sozinha ou trazer um grupo de amigas, e fazemos o Workshop à sua medida, com horários de acordo com a sua disponibilidade.
Aceitam-se inscrições através do 91 642 89 11 ou para associacaolavoisier@gmail.com


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A propósito de nos pedirem um tempo!

Em muitas situações amorosas há sempre alguém que pede um tempo. Esse tempo é angariado em nome da reflexão, balanços da relação, resoluções diferentes ou disponibilidade para se repensarem outras relações anteriores…
Frequentemente a parte depressiva e triste de cada um de nós não está presente na relação afectiva, sobretudo no apaixonamento em que o Outro nos parece fonte de alegria e satisfação sempre que está presente. Qualquer afastamento é sentido como uma “fome” e angustia que é facilmente resolvida com o reencontro. Quando a relação de apaixonamento se altera para se tornar uma relação amorosa e o nível de intensidade afectiva diminui para se tornar intimidade não temos medo de nos mostrar nus perante o outro, o que significa também mostrar a nossa parte mais frágil e triste, o que nos traz associações a outras relações e a outras situações em que nos sentimos de forma igual e não soubemos resolver quer por disponibilidade interna, quer por imaturidade.
Numa relação que funciona bem, o jogo da idealização é menor e o tempo de suspensão da dor depressiva é praticamente suprimido e mostramos mais como somos no real, isto é, mais misturados bons/maus.
Há determinadas situações que remetem para um balanço das pessoas que nós somos e isso inclui também as pessoas que amamos. Assim, é positivo que se respeitem os limites que cada um de nós pede à relação nomeadamente a pessoa ter o direito de dizer que está triste e que precisa de resolver a situação “sozinha”, sem que haja um massacre em nome da insegurança que o outro pode eventualmente sentir. Esta realidade é completamente diferente de pedir um tempo. Um tempo significa que eu preciso de uma reflexão longe da relação. As problemáticas da relação resolvem-se dentro da relação, exactamente como, não é porque estamos com dificuldades com os pais, não mudamos de casa. Se, se dá um tempo, significa sempre que alguém está numa espécie de prateleira enquanto o outro está a reflectir e na maior parte das vezes distante da própria relação. Nesta situação mais vale interromper a relação, ter a coragem de assumir que se vai dar uma volta e logo se vê se o Outro está disposto a receber alguém que foi dar uma volta.
Numa relação vivida com maturidade a expressão de tristeza e necessidade de estar sozinho deverá ser respeitada porque não é distante da intimidade construída. Um tempo é sempre eternizar a indecisão e temos que reflectir que é muito difícil estar em suspenso e dar um tempo enquanto outros se divertem longe. As dificuldades resolvem-se em casa.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tristezas nao pagam dívidas!

Caso: Depressão


Testemunho: “ Ultimamente não me reconheço, tenho-me sentido cada vez pior. Antigamente o trabalho fazia-me sentir e a relação com as crianças, sou professor do secundário.
Parece que não sinto nada que não tenho sentimentos nem forças, tenho a sensação que já nem gosto da minha mulher nem dos meus filhos, acho que só lhes faço mal. O meu humor varia entre a irritação e a tristeza, implico com tudo: porque há barulho ou porque não há barulho, porque estamos atrasados ou porque chegamos a horas, assaltam-me ideias de suicidio porque já nada merece a pena, o que me impede é a ideia do que é que os meus pais pensariam; que me fizeram tanta falta na minha adolescência –estavam imigrados em frança- perdi o apetite e toda a comida me enjoa, e já parece que nem sou homem nem sou nada, gostava que a minha mulher se apaixonase por outro, ela merce menlhor. Estou cansado e não consigo dormir apesar dos medicamentos e do chá de cidreira.”
A Depressão é uma reacção a uma alteração quer interna quer externa. Do ponto de vista interno pode surgir ao longo do desenvolvimento baseada em problemáticas organicas com potencial actualizado por uma dinamica familiar ou social, são denominadas as Depressões Endógenas e caracterizam-se por personalidades com fundo depressivo mais acentuado nos chamados “timidos” que as caracteristicas da introversão diminuem o contacto com o exterior em que frustrações, recentimento e zangas são internalizadas e alimentam sentimentos de desvalorização da autoestima e vitimização.
Estas depressões aparecem mais frequentemente no final da adolescência e inicio da idade adulta em que o contacto exterior se impõem e os niveis de ansiedade aumentam. São as mais graves e com maiores hipoteses de se tornarem crónicas nomeadamente em situações esquizoides – com caracterrisaticas autistas e pensamento acentuadamente interpretativo- .
As restantes depressões que são reactivas a caracteristicas externas e que por vezes se perpectuam no tempo dão inicio com uma experiência relatada por todos os deprimidos:”Eu perdi”. Esta perda poderá ser de objecto externo como de amor um filho, um emprego, um estatuto ou de objecto interno, -“Eu perdi-me de mim próprio, isto é foram postas em, causa as minhas crenças os meus valores ou aquilo que eu sou.”
Esta situações aparecem da maneira mais dispare. Os lutos por muito preparados que sejam e que nós treinemos os nossos afectos nos relatos sádicos do que acontece aos outros: No Centro de Saúde morremos das mais variadas maneiras no discurso das outras pessoas, na consulta de gravidez os partos são terriveis e parece que há uma hora em todas as maternidades que o pessoal confraterniza longe das parturientes e as ignora durante horas, em todos os acidentes de carro que os condutores sãos e salvos abrandam a marcha para ver melhor do que se livraram...e todas as outras situações que nós podemos inventar. O certo é onde há conquista, há perda. Tudo tem um prazo: todos os filhos deixam de ser bébés e crescem e saem de casa, todas as paixões acabam mesmo que seja quando a morte os separa, todos nós envelhecemos e todos nós abandonamos e somos abandonados.
A Depressão como nosso testemunho é mesmo assim uma reacção maciça ao luto deixamos de ser a pessoa que eramos, no entanto a reconstrução e a trasformação é possivel com a intervenção médica psicológica e muitas vezes é também necessário uma intervenção social.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A propósito de nos apaixonarmos pelas pessoas erradas!

«Quem não arrisca não petisca»

Procura-se: Pessoa infiel adorando riscos, prometendo múltiplas traições, giro(a), egoísta e egocêntrico(a), muito impulsivo(a), com raivas inexplicáveis, profissão pouco definida ou uma vocação tirânica, pode ter uma causa, uma seita, com vícios secretos e públicos, comportamentos de risco variados, capacidade de com o olhar fazer o outro sentir-se único, arrependimentos constantes com desejo sincero de mudança, com duração dependente da presença do outro, pode ser casado(a), não desejar compromisso, não estar preparado(a) para compromissos ou ter uma orientação indeterminada.

Promete-se: Fidelidade canina, culpabilização constante, abnegação, espírito de sacrifício, choros múltiplos, ansiedade e controle, relação incondicional “até que a morte nos separe”, sustentação da família “casa, roupa e cama lavada”, pode não haver sexo, carinho em quantidades desejáveis, não é preciso prometer nada, pode ser infiel, e sedutor(a) sempre que estiver na presença dos outros.

(Parabéns! Esta relação está condenada a ser temporária mesmo que seja até que “a morte os separe”, com “aureola” de santidade para uns e objecto de desejo para outros, ingredientes necessários para a manutenção de uma relação que os outros desejam mas não querem na sua casa).


A baixa auto estima e a necessidade de referentes externos é fundamental para a manutenção de uma relação baseada num equívoco afectivo, em que um dá, aparentemente, de forma incondicional, e o outro recebe amor não dando nada em troca, a não ser excitação, ansiedade, manutenção da atitude activa e apaixonada do outro, incompatível com a descrição de uma relação baseada na tranquilidade, no afecto partilhado, na confiança, e no crescer e aceitar o outro na relação.
Relações deste género, desequilibradas em termos de poder, mantêm um sem número de pessoas condenadas a não serem protagonistas da acção, a serem o centro de um “filme” criado por elas em que são dignas de compaixão, como óptimas heroínas, e os finais raramente são felizes porque por exaustão ou desistência perpetuam este padrão com outros “actores”.
Também a pessoa não preparada para o compromisso ou incapaz de o fazer é intensamente frágil e dependente quase em exclusividade de controle do outro e da humilhação constante que o outro provoca, apesar de aparentemente ter uma pessoa tão “boazinha” só para ele!
Relações adultas em que há uma partilha crescente, uma valorização constante de si próprio e do outro, em que a pessoa que nós somos de melhor é actualizada e chamada ao real como adulta responsável e participante na relação, dá muito mais trabalho. Em geral, perpetuamos os padrões aprendidos através dos nossos pais ou dos nossos vínculos mais próximos num jogo de eterna conquista em que há o “caçador” e a “presa” indefesa, que ao contrário do que aparentemente se divulga, não são os homens forçosamente os “caçadores” e as mulheres as vítimas, sobretudo numa sociedade latina em que as mulheres têm muito mais poder apesar de serem verdadeiros “cavalos de Tróia” em que o poder está escondido dentro das famílias.
Com frequência vêem-se casais envelhecidos e deprimidos com relações patológicas e zangadas, que com muito pouco trabalho a nível de prevenção de diversas problemáticas se poderia desmobilizar esta patologia.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A propósito das Telenovelas e Histórias de Encantar!

E foram felizes para sempre...


"Tenho uma filha de 11 anos, uma de 5 e um rapaz de 4 anos que estão verdadeiramente obsecados pela telenovela Morangos com Açucar. Já não posso ouvir a música da série que a minha filha ouve em casa contínuamente, os posters estão por todo o lado e a hora da série que até ao domingo passa, é sagrada! Não sei lidar com esta situação sobretudo porque não percebo qual o fascínio? A série tem uns míudos que em nada se parecem com eles, que aparentemente não fazem nada, a não ser gastar tempo a andarem de um lado para o outro, a namorar.... nem eu nem o meu marido gostamos muito de televisão e eles passam horas infinitas a ver o DVD sempre que não estamos em casa."

A imagem e a telenovela actualmente substituem os contos de fadas que povoavam a fantasia da infância e adolescência há alguns anos. As séries para as crianças e adolescentes não são mais do que variações de contos tradicionais em que há sempre o “giro” um pouco parvo que vem montado num cavalo branco e nos tempos modernos numa mota ou num descapotável que se dedica sempre a desportos radicais e cujo aproveitamento escolar não consta da história. Os adultos pais que nunca foram princípes projectam que esta criatura se vai tornar técnica de máquinas de fotocópias quando crescer e que gosta sempre das mulheres pela sua beleza acabando sempre com a feia mas muito boazinha que engravida cedo demais. Existe a princesa rica e prepotente filha da madrasta horrível que manipula a história toda e que se sai sempre mal. O jardineiro pobre afinal filho ilegítimo e verdadeiro irmão da rica e má. Com pozinhos de intriga mentiras, dinheiro e traições é a telenovela perfeita para que todos nós nos possamos identificar e alimentar a fantasia de controle da realidade.
As crianças e os adolescentes mais sensíveis aos mecanismos de identificação e à procura de referentes externos que confirmem as identificações da família e do seu próprio meio sentem-se fascinados por poderem ver a vida a cores e os maus a serem castigados. Claro, que as questões da sexualidade, namoros e traições mobilam muitas vezes as fantasias de como é que as relações amorosas e de amizade se passam no real.
Todas as histórias são banais no quotidiano comum e não queremos assistir à nossa realidade. Do que serve vermos pessoas a trabalhar, com dificuldades financeiras a pagarem empréstimos de habitação, a executar refeições ou a passar a ferro. Todas as crianças, adolescentes e adultos querem fingir que esse não é o cenário real é só uma promessa dos acontecimentos excitantes que se vão passar na nossa própria vida. Quantos de nós conhecemos princesas e principes quando eramos pequeninos ou vimos lobos maus na floresta? Não é por isso que acreditamos de forma real nestes contos. Os contos vão sim, directos à nossa linguagem simbólica com valores éticos e morais e formas de resolução da realidade que nos alertam para um percurso comum a muitas pessoas.
A história dos três porquinhos e do lobo mau em que há uma casa de palha, uma de madeira e outra de tijolo que serve por fim de abrigo a todos os irmãos tenta demonstrar que o trabalho e a persistência são recompensados e que devemos ser generosos com os que troçam de nós. A história da Branca de Neve remete para os sete pecados mortais em número de sete anões que agora são muito trabalhadores e retiram diamantes da terra; anões esses que têm nomes que revelam as fragilidades infantis que os pais tentam combater, é o zangado, o preguiçoso , etc. A Branca de Neve é uma jovem linda, pura e um pouco parva que se deixa enganar pelas aparências e escolhe a maçã perfeita mas que constitui a tentação do paraíso e como tal é uma Eva castigada. Em vez de estar nua está metida numa redoma transparente e isolada num sono só interrompido pelo principe perfeito isento de qualquer pecado.
A do Capuchinho Vermemlho uma menina com o capucho simbólico da tentação e do aparecimento da menstruação, uma púbere (jovem entre os 10 e 12 anos) em que são ensaiados os primeiros passos de autonomia como muitos de nós não ouvem a voz da experiência e a simbólica do amor parental que aparece na história como uma relação entre a mãe e a avó. A menina atravessa a floresta onde surgem várias tentações nomeadamente aspectos da sexualidade aparecem na figura do lobo mau que refere aspectos transformados do corpo como evocadores da relação, tem ouvidos grandes porque a menina o está a ouvir, tem olhos grandes para a ver, e uma boca enorme para a devorar. Não sabemos se a mãe do capuchinho não será uma mãe solteira que não tenha caido ela própria na tentação, seduzida por um caçador qualquer mascarado de cordeiro.
Assim, todas as histórias alimentam a fantasia de que controlamos a realidade com exemplos de outros. Esta realidade é longinqua para todos nós, e é para isso que existem telenovelas para adultos e para crianças em que o facto de serem quotidianas nos dá uma ilusão de participação activa na vida das personagens, muito mais interessante e excitante que a nossa. Mas, existem muitas telenovelas anónimas, basta ir a uma sala de espera de um Centro de Saúde em que cada grávida ouve histórias de gravidezes e partos indiscritiveis em que o único detalhe aparentemente feliz é o nascimento final de uma criança. Ou os casamentos dos filhos dos nossos amigos que são cheios de peripécias e precalços enquanto os dos nossos são sempre tranquilos, fiéis e sem história, porque são sempre felizes.
Em suma as histórias e as telenovelas são fundamentais para o nosso crescimento e o enriquecimento simbólico se confrontadas com os aspectos da realidade do nosso inconsciente colectivo desmistificando aspectos assustadores ou irreais que são uma constante o que no fundo não é muito diferente de tranquilizar um filho de 3 anos que acredita em monstros por debaixo da cama.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A propósito das Simpatias e Antipatias!

“Os olhos são o espelho da alma.”

“Não sei porque é que às vezes embirro com uma pessoa assim de repente e tenho a sensação de que é mútuo. Tenho actualmente no trabalho uma colega com quem antipatizei logo que a vi, irrita-me, sem saber porquê. Acho que às vezes também acontece o inverso: simpatizo com alguém que ainda não conheço”.

O reconhecermos características e afectos nos outros tem sempre a ver com aquilo que somos e com a dinâmica que se estabelece entre a nossa personalidade, o nosso desenvolvimento e a nossa experiência. Nessa dinâmica, o que é actualizado em nós poderá ser uma parte de que gostamos, reconhecendo noutros aspectos a pior parte de nós próprios. Quando existe, o reconhecimento imediato tem sempre a ver com a experiência anterior, ainda que evocada por uma experiência de sonho, ou com uma característica do outro que apreendemos como “irritante” num contexto não verbal. A empatia que sentimos de imediato por uma pessoa que desconhecemos tem a ver com o facto de cada um de nós esconder um “segredo” da sua personalidade, de acordo com um mecanismo defensivo e adquirido; a antipatia é reconhecida exactamente da mesma maneira. Um indivíduo tímido poderá parecer tímido aos olhos dos outros, ou estar corrigido socialmente. Mas nenhum dos dois estará de forma espontânea em sintonia com o contexto exterior, que terá também um menor impacto neles em termos internos. O tímido que parece tímido será reconhecido por todos; o tímido “corrigido” só será reconhecido, a maior parte das vezes, por outros tímidos.
Quando a experiência de relação com outra pessoa é determinante em termos de personalidade, a “nossa defesa” interna reage de imediato ao reconhecer uma “pessoa semelhante”. Assim, simpatizamos de imediato com alguns e antipatizamos com outros, reconhecendo um conjunto de sinais não verbais que definem variáveis tais como o meio sócio-demográfico, a personalidade, etc.
Estes factores economizam a energia que despendemos no conhecimento das pessoas e no estabelecimento de novas relações, optimizando o sucesso da relação. Assim, “repelimos” as pessoas que nos fazem pensar em experiências menos boas e “atraímos e sentimo-nos atraídos” por pessoas com experiências positivas.
No entanto, o senso comum diz também que não devemos confiar totalmente nas primeiras impressões e que quando damos o benefício da dúvida temos, muitas vezes, surpresas agradáveis. O que é facto é que não temos disponibilidade para todos e que os olhos não são muitas vezes espelhos reveladores da alma, mas tão-somente olhos!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A propósito das Estratégias Agradativas!

Nos dias que correm....“É mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo...”



Testemunho:
“Não consigo controlar-me, sou um mentiroso compulsivo. Quer dizer, antes de me aperceber, já estou a dizer que adoro aquela comida; que o vestido novo da minha namorada lhe fica lindamente; que tenho muito trabalho, em vez de dizer que às vezes me apetece estar sozinho; de aceitar uma tarefa que já sei que não consigo fazer. Resultado, acho que estou sempre a mentir para conseguir que as pessoas não se zanguem comigo. O problema é que não resulta. Toda a gente me cobra de alguma maneira, que eu faça mil coisas, que não me apetece fazer. Nem sequer me dão tempo, nem eu dou a mim próprio tempo para descobrir o que eu gosto, ou o que me apetece verdadeiramente...”
As estratégias agradativas são sempre baseadas numa fragilidade da autoconfiança e da auto-estima. A mentira é uma forma de proteger a intimidade interna. O indivíduo esconde, omite e reinventa a realidade e a pessoa que é, porque pensa que não poderá ser aceite, nem amado por aquilo que realmente é.
Com alguma frequência, os indivíduos com uma dinâmica de “esconderijo”, funcionam em departamentos fechados, entre os quais as suas pessoas não circulam, não se misturando espaços de trabalho, de amigos, de família e de relações amorosas. Estes departamentos são cuidadosamente geridos, normalmente, por um indivíduo muito eficaz para o exterior, apresentando uma fragilidade e uma atribuição de poder em relação aos afectos das pessoas dominantes - pais, melhores amigos, marido, mulher e filhos. Este indivíduo agradativo atribui às pessoas que o rodeiam o poder e a capacidade de o “matar”, alimentando uma relação de dependência que “aos de fora” parece estranha. É tudo aceite e as pessoas a quem foi atribuido esse poder mandam de uma forma tirânica, até o agradativo não ter quase espaço interno. É tudo cobrado, o tempo que se passa no emprego, as outras relações, o desporto que frequentava, a música que ouvia, a forma como se vestia, entre tantas outras coisas.
Efectivamente, o controle leva sempre à construção de espaço de clandestinidade. O indivíduo, para se manter coeso, desenvolve estratégias escondidas que lhe permitam fazer as coisas que de facto lhe dão prazer. No entanto, a culpabilidade, imposta e manipulada por essas relações de dependência, fomenta a mentira e a tentativa de agradar, que pode ter muitas vertentes, desde a omissão, ou o oferecimento de presentes e de dinheiro, até à anulação do indivíduo na presença do outro. Estas relações de dependência são agravadas com o passar do tempo, e a estratégia de tirania e de controle do outro levam a uma clandestinidade que acaba por se tornar delinquente, já que é necessário uma compensação afectiva e um espaço interno onde se possa respirar.
O masoquismo da mentira é que deverá ser trabalhado num tempo psicoterapêutico, muitas vezes fundamental para que o indivíduo se aceite como é, deixando de tentar ser adequado a “gregos e a troianos”. Aceitando que isto não é suposto e que esta é uma tarefa inglória. Este trabalho de crescimento centra-se, fundamentalmente, na reconstrução da auto-estima, no reconhecimento dos limites pessoais e da zanga provocada pela intrusão dos outros. O medo da intimidade terá que ser igualmente trabalhado, de uma forma sistemática, que consiste na aprendizagem da exposição do próprio, no sentido de lhe permitir dar-se a conhecer, sem medo ou receio de ser julgado, numa aceitação progressiva das qualidades positivas e negativas individuais.
Em suma, todos nós somos mentirosos quando dizemos que adoramos um presente que odiámos; que estávamos doentes quando faltámos ao trabalho; que não estávamos em casa, mas estávamos de preguiça no sofá; que tentámos telefonar mas não estava ninguém em casa, e , no entanto, estas mentiras são consideradas necessárias e menos más, mas não passam de estratégias de evitamento da verdade daquilo que nós realmente somos - às vezes preguiçosos e mentirosos. Na verdade, deviamos arriscar e dar o benefício da dúvida aos que amamos, arriscando com a verdade.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ateliers de Recuperação de Móveis e Jardinagem!

ATELIER DE RECUPERAÇÃO DE MÓVEIS, TEM JÁ INICIO NO DIA 26 DE SETEMBRO, 10H30 AS 12H!

Se já não sabe o que fazer com aquele móvel da sala, que adora, mas que está na fase final, junte-se a nós no nosso atelier de recuperação de móveis no próximo dia 26. Temos a solução ideal para recuperar aquele móvel que tanto gosta e ao mesmo tempo dar-lhe um ar fresco e moderno!!!






ATELIER DE JARDINAGEM TEM INÍCIO JÁ NO DIA 23 DE SETEMBRO!

É já no próximo dia 23 de Setembro que inicia o nosso atelier de jardinagem. Queremos dar dicas a todos interessados, sobre os cuidados a ter com o jardim, agora com a chegada do Outono. O atelier tem início às 17h30 e termina às 20h00. Garantimos que são duas horas e meia muito bem passadas e cheias de alegria...Contamos consigo!!!






Inscreva-se já ligando para o 91 6428911 ou enviando um email com os seus dados para associacaolavoisier@gmail.com
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Mensagem da Presidente

A Associação Lavoisier é uma IPSS, Instituição Particular de Solidariedade Social que intervém na Área da Prevenção da Saúde Mental. Nasceu antes de ter nome e “quando nem havia o sonho deste bebé”. Foi uma gravidez inesperada. De repente verificou-se que a criança já era crescida e risonha.

Este projecto, ocupou um espaço cada vez mais alargado tanto real como imaginário até que não pudemos deixar de lhe arranjar uma casa e baptizá-lo oficialmente.

Uma equipa verdadeiramente multidisciplinar deu-lhe um nome e com ele forma, disciplina e funções a Lavoisier foi-se transformando e transformou com ela muitas pessoas, desde as mais pequeninas a outras muito idosas.

Hoje muitas pessoas usufruem da multiplicidade de serviços da Associação, avaliações, consultas, encaminhamento psicológico, ateliers de estimulação psicopedagógica, apoio Psicopedagógico ao Aluno, Apoio ao Domicilio, e dos nossos artigos sobre a psicopatologia do quotidiano.

Só temos a agradecer a toda a equipa!