segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

“Ano Novo Vida Nova ou enquanto durar a erva há que moldar”

A propósito do Ano Novo

"Sinto-me sempre deprimida na passagem do ano, tenho sempre grandes expectativas para o ano seguinte mas a verdade é que acho que nada muda. O ano passado, até por sugestão de um artigo de uma revista, fiz uma lista de resoluções para o novo ano. Quando a fui verificar, nada tinha mudado: não fui à ginástica, não fiz dieta, não mudei de emprego, não brinquei mais com os meus filhos, não namorei mais com o meu marido, não renovei a casa... Sinto-me um falhanço."

Os rituais de passagem facilitam de muitas formas a nossa vida, organizando-a e preparando-a para as mudanças. Depois do Natal, em que se festeja a família e nos reaproximamos de pessoas que há muito não víamos, também nos confrontamos com as nossas perdas, as pessoas que morreram que nos eram queridas, a solidão dos outros, os casamentos e namoros que falharam, as crianças que já não são bebés, já cresceram e já não acreditam no Pai Natal...
É nesta altura que nos aparece o Ano Novo, com votos renovados de sermos felizes, como um caderno novinho em folha no primeiro dia de escola. É nesta altura que a decisão de mudança parece fácil e óbvia mas, as decisões para se tomarem conscientes precisam de muitas decisões pequeninas, que à primeira vista parecem não ter importância, como a decisão de todos os dias chegarmos mais cedo a casa e menos cansados, a de nos levantarmos a tempo de ir à ginástica logo de manhã e de não ficarmos na cama muito quentinha enquanto chove lá fora, a de namorar mais em vez de discutir "o que é que fazes e o que é que eu faço", disputando o poder dentro da relação do casal. Na verdade estas decisões parecem pequeninas e pontuais , mas todas juntas acabam por construir um novo caminho. Construí-lo depende da nossa decisão de dar mais importância aos pormenores que trazem mesmo mudança no nosso quotidiano, os que parecem mais pequenos e invisíveis e que acabam por ser os nossos afectos. Então aí passa a ser muito fácil, até agradável e reconfortante, no final do ano, olhar para trás e verificar que tanto mudou ao longo do ano.
A verdade é que as mudanças só se tornam óbvias depois de muito tempo, como comprova a receita de felicidade matrimonial de uma Senhora enviuvada após 54 anos de casamento, que saudosa do marido com quem fora muito feliz dizia: "... não dei pelos anos terem passado. Só quando o meu filho mais velho se formou é que pensei: "ai, ai, que já somos um casal de meia idade " e lembro-me de olhar para o meu marido e pensar que "ainda parece que nos encontramos ontem."
Assim, cada novo ano há que renovar e repensar todas as decisões, de uma forma ou de outra, as mudanças são inevitáveis. As decisões só as apressam e as antecipam, mas também nos dão um sentimento agradável de que tomamos conta da nossa própria vida, e de que a controlamos.
Claro que esta atitude, de ir tomando decisões, reforça a nossa auto-confiança e auto-estima interna, tornando-nos pessoas mais saudáveis e autónomas. Por vezes, quando adiamos sucessivamente a mesma decisão, o mais certo é que precisemos da ajuda de um psicólogo ou de alguém que nos "empurre" ou a ajude a repensá-la.